Politica
Pancake eleitoralSalete Campari e Léo Áquilla querem vaga na Assembléia Legislativa de São Paulo. Elas são pré-candidatas às próximas eleiçõesElas são associadas a festa, diversão e noite. Coloridas e exuberantes, as drags paulistas agoram querem mostrar que também são boas de briga. Para defender os direitos GLBTs, Léo Áquilla e Salete Campari querem ser parlamentares. As duas já são pré-candidatas e prometem muito auê no próximo pleito.
Depois de investir cerca de R$ 80 mil reais em 2000 para alugar o antigo Palace, em São Paulo, para fazer um show e, no ano seguinte, mais R$ 60 mil para se apresentar no Tom Brasil, o repórter da Rede TV! Léo Áquilla anunciou nesta terça-feira, 14, que é pré-candidato(a) a deputado estadual pelo Partido Social Cristão (PSC), para as próximas eleições a serem realizadas em outubro deste ano.
“Minha candidatura é um grito de revolta. Tem gente que se candidata porque gosta, mas eu não. Odeio política, odeio os políticos. Ao fazer uma faculdade de jornalismo, descobri que tudo nessa vida é política e quem não se politiza paga um preço alto”, diz o transformista. Segundo ele, a cultura fará parte de sua plataforma política. “Fiz um projeto que visava a cultura gay para levá-la à grande massa”, explica.
Algumas das principais bandeiras da comunidade gay, como a parceria civil e as leis contra discriminação, vão ser defendidas por Léo, mas de uma outra forma. “Vou defender esses projetos, mas segundo meu ponto de vista. Se for eleito, vou fortalecer os projetos que já existem. Vou esclarecer as coisas que já estão lá, mas vou priorizar a cultura. O meu trabalho é entretenimento, é diversão. Minha vida é um exemplo de que minha teoria está certa”, acredita.
Com o slogan “Assim ou assim, vote em mim”, a campanha de Léo vai ser essencialmente estruturada no boca a boca. “Não vou investir na campanha. Ela não vai ser meteórica, avassaladora. Vai ser tímida, vou fazer santinhos, já tenho inclusive meu número, mas não posso divulgar porque senão o TSE me caça (risos)”, revela. Seguindo o slogan, os outdoors vão mostrar fotos de Léo montado e desmontado.
O “deputado da gravata roxa”, como ele próprio se intitula, quer trabalhar como um verdadeiro representante da comunidade GLBT. “Não quero saber de grana, vou tentar ser um diferencial e não me vender gratuitamente”, anuncia. O primeiro passo em seu mandato será apresentar um projeto que viabilize patrocínios para a cultura gay. “Quantos artistas nascem e morrem sem poder mostrar seu talento?”, questiona.
Sobre o partido, Léo diz que não sofreu nenhum tipo de preconceito. “Quando procurei o PSC, pensei: ‘Se eles são cristãos, eles têm que me aceitar como ser humano’. Não fui discriminado, foi o partido que mais bem me recebeu e foi onde expus o meu ponto de vista”, explica.
Coincidentemente, a campanha de Léo será lançada durante a Parada GLBT de São Paulo. E o transformista espera que a máxima “gay não vota em gay” seja derrubada. “Acho que os gays estão muito politizados. Minha única preocupação não é perder, mas questionar o poder que a comunidade tem de colocar um representante lá dentro. Se eu não me eleger, cadê o poder? Cai tudo por terra...”, critica.
Para os fãs do transformista, um aviso reconfortante: Léo não vai parar de fazer shows. “Vou me ausentar por três meses, mas depois eu volto”. Até outubro, no entanto, o transformista espera que a rainha da noite, Silvetty Montilla, ajude-o a conquistar o voto pink.
Outra candidata drag à Alesp, Salete Campari, quer concorrer pelo Partido Democrático Trabalhista, o PDT. “É o mesmo do vereador Carlos Apolinário [que pretende criar o Dia do Orgulho Hétero em SP]”, avisa ela para início de conversa. Alguma contradição? “Nenhuma”, afirma. “Ele tem as opiniões dele, eu tenho as minhas. Sou boa de briga e vou defender os meus pontos de vista. Agora, isso já revela que sou transparente: não escondo, não justifico nem tento explicar a homofobia dele”.
“Ainda sou pré-candidata, mas é bom ressaltar que fui convidada por membros antigos do partido, que queriam ter alguém representando a comunidade GLBT. Por isso, eu acredito que está havendo uma mudança. Veja, com a minha exuberância, não dá para disfarçar o que sou. O convite foi feito às claras”.
Salete está animada com o novo projeto. “Depois de tantos anos no meio gay, quero agora dar uma contribuição mais efetiva ao movimento, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa”. A drag parece que já está em campanha: conversa com todos, escuta. Também marca presença nos principais eventos da comunidade. Da reunião da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual à reabertura do Autorama, a cover de Marylin deu sua contribuição na semana passada. “Vida de político é assim”, diz toda sorridente.
Será esse o ano das drags na política?
fonte: Mix Brasil
Por Paco Llistó e Ferdinando Martins



Postar um comentário
<< Home